César Cielo Filho, o nadador brasileiro que conquistou o ouro em Pequim, chega a sua cidade natal. Confira a entrevista coletiva que ele deu ontem, quarta dia 20.
Provavelmente você não está indiferente aos recordes consecutivos que o americano Michael Phelps anda alcançando em Pequim.
Alguns podem querer não comentar por não aceitar a pessoa como figura humana (vide Victor Birner)
Outros podem ficar com uma raiva do cara que “rapa o tacho”, leva todas as medalhas.
Gostaria de comentar de de tudo isso um pouco eu senti em cada momento. Mas também me lembro que tenho que ser coerente com os fatos, com as historias e até minhas lembranças olímpicas mais vagas.
A olimpíada mais antiga que eu tenho lembrança é a de 1996. Atlanta comemorando os 100 anos de olimpíadas modernas, lembra das bolinhas comemorativas da Coca-cola? Mas a que realmente eu me recordo de acompanhar os resultados é a de Sydney-2000 e a grande batalha da natação do século: Ian Thorpe e Micheal Phelps, a grande disputa, talvez até a última dessa geração.
Daqui pra frente é Phelps. Querendo ou não, teremos que aceitar isso, teremos que aprender a conviver com nosso próprio ciúme, a nossa inveja. Não vamos mais perder tempo, vamos nos concentrar em atingir o segundo lugar, sim?
Como a imprensa já disse várias vezes, Phelps é nascido para nadar. Seu porte físico e suas características genéticas não indicam outra coisa: abertura de braços maior que sua própria altura, flexibilidade e metabolismo.
Agora permito um momento de imaginação: Se Phelps não tivesse descoberto a natação, como teria sido, como teria vivido? Imagino que teria sido quase história do patinho feio, coitado, o cara que é o motivo das piadas no colégio e que só não seria trancado no armário porque não caberia nele. Mas o lanche talvez tivesse sendo roubado. Essa cultura norte-americana…
Levando tudo isso em conta, acho que mais do que recordes olímpicos e medalhas, Phelps e muitos outros atletas nos mostram é principalmente a conquista de dignidade. Já que vivemos numa sociedade que depende somente méritos e reputações, é bom saber que elas ainda podem ser contruídasde formas limpas e não dependendo de funks e capas de revistas.
Acho que todo mundo vai se lembrar do uniforme da delegação esportiva brasileira quando estreou no Panamericano de 2007:
Eu particularmente gostei muito desse modelo, pode até parecer que o degradê é uma idéia estranha, mas na hora do pódio tem um efeito muito bom.
Poderia ter muito mais efeito, e efeito financeiro pro COB, se ele fosse comercializado.
Uma pena e uma interrogação nessa questão: Porquê o COB tanto mede forças com a CBF, mas tão pouco age pra conseguir o mínimo de igualdade com ela?
E já que o nosso Comitê não se mexe, fiquei meio surpreso com a notícia que vi hoje de manhã: A Band montou uma lojinha virtual pra vender uniformes iguais aos da equipe que está em Pequim!
Francamente, em nenhum momento tive esse desejo de consumo, mas fica aqui a bela iniciativa da Band, que conseguiu ser mais esperta que o COB. (Afinal, quem consegue ser menos?). Mas ainda acho que 98 pilas tá um pouco salgado, não tá não?
A garota que cantou “Ode a pátria” na cerimônia de abertura estava dublando, porque a menina que era bonita não cantava bem e quem cantava bem não era bonita.
Pra quem assistiu pela Band, deve ter percebido o Luciano do Valle que notou para o fato da organização não ter divulgado antecipadamente o nome da garota. Não desconfiei na hora, mas agora isso faz sentido.
Não satisfeitos com isso, os chineses quiseram mostrar que a sua ‘ditadura de mercado’ também é capaz de truques mais elaborados. Sabe aquela linda queima de fogos? Gravada, editada e computadorizada. A desculpa oficial? “Algumas imagens foram produzidas antes da cerimônia para se obter um efeito teatral (…) Por causa da baixa visibilidade, algumas imagens foram gravadas antes da cerimônia de abertura”
Quer ver com seus próprios olhos? Compare a imagem oficial com a gravada por chineses do lado de fora do estádio:
Falseta por falseta, ainda fico com os trambiques de 1,99. Saem mais em conta.