Provavelmente você não está indiferente aos recordes consecutivos que o americano Michael Phelps anda alcançando em Pequim.
Alguns podem querer não comentar por não aceitar a pessoa como figura humana (vide Victor Birner)
Outros podem ficar com uma raiva do cara que “rapa o tacho”, leva todas as medalhas.
Gostaria de comentar de de tudo isso um pouco eu senti em cada momento. Mas também me lembro que tenho que ser coerente com os fatos, com as historias e até minhas lembranças olímpicas mais vagas.
A olimpíada mais antiga que eu tenho lembrança é a de 1996. Atlanta comemorando os 100 anos de olimpíadas modernas, lembra das bolinhas comemorativas da Coca-cola? Mas a que realmente eu me recordo de acompanhar os resultados é a de Sydney-2000 e a grande batalha da natação do século: Ian Thorpe e Micheal Phelps, a grande disputa, talvez até a última dessa geração.
Daqui pra frente é Phelps. Querendo ou não, teremos que aceitar isso, teremos que aprender a conviver com nosso próprio ciúme, a nossa inveja. Não vamos mais perder tempo, vamos nos concentrar em atingir o segundo lugar, sim?
Como a imprensa já disse várias vezes, Phelps é nascido para nadar. Seu porte físico e suas características genéticas não indicam outra coisa: abertura de braços maior que sua própria altura, flexibilidade e metabolismo.
Agora permito um momento de imaginação: Se Phelps não tivesse descoberto a natação, como teria sido, como teria vivido? Imagino que teria sido quase história do patinho feio, coitado, o cara que é o motivo das piadas no colégio e que só não seria trancado no armário porque não caberia nele. Mas o lanche talvez tivesse sendo roubado. Essa cultura norte-americana…
Levando tudo isso em conta, acho que mais do que recordes olímpicos e medalhas, Phelps e muitos outros atletas nos mostram é principalmente a conquista de dignidade. Já que vivemos numa sociedade que depende somente méritos e reputações, é bom saber que elas ainda podem ser contruídasde formas limpas e não dependendo de funks e capas de revistas.
