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Archive for agosto 10th, 2008

Júbilo Iwata x Vissel Kobe

Posted by Tadashi Oshiro on agosto 10, 2008 at 04:03 am

Sábado, início de feriadão para os cidadãos japoneses, e alguma forma melhor de comemorar essa espécie de ‘férias de consolação’ (1 semana não é férias nem aqui, e muito menos no Brasil), do que indo no estádio e assitir futebol da arquibancada e gritando pelo seu time de coração?
Lógico que não, e não Japão não é muito diferente, alias, é um pouco sim.

No Brasil jogo de futebol é sagrado. Ninguém sai de casa pra ir em almoço de família, se vai ter o jogo na Tv às 16, ou então juntam o útil ao agradável, e tudo fica um pouco mais tranqüilo, almoça, come um docinho ali, e depois coloca o barrigão pra fora e espera começar o jogo folgadão no sofá.
Já no Japão, o esporte número 1 do país ainda não é o futebol, a paixão nacional aqui é o beisebol, e a coisa é bem parecida com o Brasil, só que domingo na Tv passa beisebol no lugar do futebol. Futebol mesmo só depois de meia-noite, e olhe lá. E como é bem comum aqui no Japão, eles aproveitam a reprise e quando a bola sai, tem uma falta, ou coisa parecida, a Tv simplesmente coloca um intervalo comercial, e quando volta, volta de onde parou. Estranho? Talvez, mas acho que já sei a origem do pause nos jogos de futebol.

Aproveitando o tal do feriadão iriamos ver o time mais perto daqui jogar, ou seja o Júbilo Iwata da cidade de Iwata.
Começando por uma observação, japoneses não sabem falar a palavra Júbilo, acaba saindo uma coisa parecida com “Diubirô”, ai lembrei. Todos os times, ou pelos os principais do Japão, tem um nome de origem americana, e japonês falando inglês não é lá muito bonito e elegante.
A segunda observação é que Iwata é uma cidade movida pelo time de futebol local. Num país pequeno e que o futebol não é o primeiro esporte do país, não vai ser comum toda cidade ter um time grande, ou pelo menos disputando as 3 divisões existentes da Liga Japonesa de Futebol, a J-League. Iwata é azul do norte ao sul, do leste ao oeste. No centro da cidade, os postes de iluminação na rua, são da cor azul celeste, e o lustre tem a forma de uma bola de futebol, azul e branca. Pela cidade várias estátuas do mascote do time, uma pássaro azul, muito bem feito. E numa das placas da estátua vem escrito “Welcome to Iwata-city, Hometown of Júbilo Iwata” , veja nas fotos. Aqui e Aqui

Um time que move uma cidade, tem que ser muito grande, e o Júbilo Iwata é.
Formado nos anos 70, só se profissionalizou junto com o futebol japonês na década de 90. De lá pra cá, a história do time é grandiosa, desde seus jogadores até seus títulos. O maior ídolo sem sombra de dúvidas é o atacante Nakayama, que hoje apesar de seus 41 anos e banco do time, ainda veste a camisa 9. Pra quem não sabe Nakayama tem uma história não só no Júbilo Iwata, como na seleção japonesa, foi o primeiro jogador japonês a marcar um gol em Copas do Mundo em 1998 (primeiro e única da edição), é um dos (se não o maior) goleador da seleção do sol nascente. Além de Nakayama passaram pelo time o nosso querido técnico Dunga, e o atacante italiano Schillaci (artilheiro da Copa de 90), que se aposentou no clube japonês, e jogadores conhecidos no Japão como Nanami, Fukunishi, Fujita e Kawaguchi completam a lista de craques que vestiram e vestem a camisa azul celeste do Júbilo.
Com relação aos seus títulos, o primeiro veio em 1997, mais o principal mesmo são os de 1999, quando o time de Iwata faturou nada mais, nada mesmo que a Liga Japonesa, a Liga dos Campeões da AFC e Supercopa asiática.

Já o Vissel… Bem o Vissel já foi dirigido pelo Leão.

Hoje nenhum dos 2 times passam por uma grande fase, o Vissel sempre brigando pelas últimas posições, e o Júbilo fica naquela do meio da tebela pra baixo.
Antes da partida os dois times estavam no meio da tabela, mas o Vissel com 2 pontos a frente do Júbilo Iwata.

O jogo começava às 19 horas. Eu sempre chego cedo em jogos de futebol, às vezes cedo até demais. Ano passado fui no Engenhão assistir Botafogo e Santos, e achei que o jogo começava 16, quando na verdade começava só 18 horas.
Mas como não fui sozinho, e fui com brasileiros, cheguei no estádio e a bola já estava rolando, alias, já tinha passado dos 15 primeiros minutos. Vi um estádio lotado, pequeno porém confortável e lotado, 14 dos 15 mil lugares vendidos.
O Yamaha Stadium lembra bem aqueles estádios brasileiros de segunda divisão paulista. Lembra no sentido de ser aqueles estádios num morro e que lá de cima você vê toda a cidade lá descendo, é meio louco explicar, mas é isso aí. O gramado é impecável, a bola rolava com uma perfeição incrível.
Engraçado é que o estádio tem 4 lados (dã), porém, um diferente do outro, na entrada principal do estádio, você entra junto com os visitantes num portal que muito perto da bandeira de escanteio, alias, primeiro estádio que fui que não tem nada separando o campo da arquibancada, só um pequeno muro de meio metro.
Os visitantes ficam numa parte atrás do gol, é só um corredor que não cabe 500 pessoas, não entendi porque tão pequeno assim. Do outro lado, também um corredor, mas pro Júbilo, e esse com uma parte de cima. Essas duas partes atrás do gol, parecem ser onde ficam as torcidas organizadas (se é que existe isso aqui), mas é a parte onde todos cantam e pulam por 90 minutos. Diferente das partes laterais do estádio, onde é maior, mas as pessoas não fazem nada além de assistir o jogo.
A torcida do Júbilo é daquelas bem asiáticas, palmas e pulos ensaiados, e cantos simples. Já do lado do Vissel, era uma torcida diferente, com megafone, torcedores sem camisa e rodando a mesma, bandeiras com pvc que não paravam um minuto. E como só esses dois lados cantavam, ficava uma disputa entre os dois lados, um lado cantando mais alto antes, depois o outro, e ficava nisso.

Em campo um brasileiro, o camisa 8 do Júbilo Iwata, Gilson do Amarala (segundo o site do Júbilo Iwata), mas no telão escrito em japonês era uma coisa parecida com Juninho, mas enfim.
O camisa 8 foi o grande destaque do time local no primeiro tempo, se movimento, chamava as jogadas e quando voltou do intervalo morreu.
O primeiro tempo foi fraquíssimo, as oportunidades não apareceram e o melhor lance foi do time visitante que acertou uma bola na trave do gol do meu ídolo japonês Kawaguchi.

Intervalo de jogo, e em campo entram os reservar para correr no gramado, e enquanto isso a grande estrela e aquele que fez todo mundo chegar perto para uma foto, os queridos pássaros mascotes do Júbilo Iwata, andavam pelo estádio.

Começa o segundo tempo, e o Júbilo parece ter voltado melhor, em campo apenas uma mudança, e mais um brasileiro o camisa 9 Leandro entra no time do Vissel, que faz o estilo Washington e Adriano, deu trabalho, mas não fez muita coisa.
Uma coisa me chamou atenção quando começou o segundo tempo. Lembra aquilo que falei que a parte da torcida mesmo ficava atrás do gol? Então, 2 bandeiras brasileiras balançavam e eu não podia deixar de tirar uma foto, foi de longe e ficou meio bagunçado por causa do zoom, mas deu pra ver.

O jogou continuou chato e um único lance chamou a atenção até os 30 minutos, o zagueiro do Júbilo Tanaka, dominou a bola na entrada da área e chutou mal e fraco, mas absurdamente a bola chega até a trave.

Perto do fim, lá pelos 38 minutos do segundo tempo, a equipe visitante chega ao gol. Não lembro o lance, mas sei que teve uma confusão lá na área e a bola acabou entrando.
A torcida do Júbilo não se calou (a que não tinha se calado), e a do Vissel continuou cantando sem parar.
Nisso torcedores do Júbilo já saiam do estádio e voltam para sua casa, parece que eles já sabiam que se não tinha feito nada até ali, depois do gol não ia fazer mesmo.
Aos 43 minutos, o técnico do Júbilo Iwata coloca o atacante e como disse um dos ídolos do clube Masashi Nakayama de 41 anos. Na hora que o telão anunciou a entrada do atacante o estádio não parou de aplaudir o atacante que hoje nem deve lembrar aquele de 6 anos atrás. Mas mesmo assim eu pensei “Cara, esse time do Júbilo é fraco demais. E um jogador que supostamente é uma espécie de Romário japonês, entra faltando 2 minutos, por que não coloca o cara antes?” Sorte que de japonês ele só tem a posição e a idade mesmo, porque se fossem as atitudes…

O Júbilo ainda assustou nos últimos segundos, mas nada demais e o Vissel Kobe saiu com a vitória e 3 pontos na bagagem.
Destaque do jogo deve ter sido do Vissel, mas como não conheço ninguém de lá, vou dar o meu pra um jogador do Júbilo que é o Roberto Cullen (que em japonês se escreve Caren), e que é japonês.

Outra coisa que achei diferente, é que a torcida do Vissel foi comemorar com a sua torcida, já a do Júbilo se reuniu e foi até a torcida do Júbilo e comprimentou os torcedores abaixando a cabeça, destaque para o ídolo Kawaguchi, que parecia ser o mais triste de todos. Enquanto a torcida (calada) aplaudia os derrotados, a torcida (não-calada) vaiava, não sei quem, mas vaiava.

Com o resultado o Vissel Kobe pulou para a 9 colocação com 29 pontos, enquanto a do Júbilo fica com seus 24 pontos, na 14 posição.
Lembrando que só 18 equipes disputam a primeira divisão da J-League.

Se o jogo foi bom? Um japonês responde por mim.
AQUI

Vejam essas e outras fotos do jogo e da cidade de Iwata aqui:
http://www.flickr.com/photos/tadashioshiro/

Veja um vídeo que fiz no estádio aqui:

OBS: O programa que usei aqui, acabou com o áudio do vídeo, mas enfim, nada demais. Prestem atenção que quando o jogo termina um são-paulino passa pela câmera.

Filed Under: Opinião

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