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O programador e o jornalista

Ontem, dia 29 de março, aconteceu em São Paulo na faculdade Cásper Líbero o Seminário Internacional de Jornalismo Online, que foi organizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin (EUA), a faculdade e vários jornalistas da área. Dentre várias apresentações até de representantes estrangeiros como do New York Times e da BBC, a apresentação do Pedro Valente, gerente de produtos do Yahoo! Brasil, foi a que mais me me fez pensar posteriormente.

Pra quem não conhece as idéias defendidas pelo Pedro, vai uma pequena entrevista dele concedida ao Tiago Dória no Yahoo! Hack Day deste ano:

A apresentação me fez muito como os objetivos e métodos da programação se parecem. Enquanto eu resolvia bugs do site do projeto Eleitor 2010 (do qual estou colaborando na parte técnica e vou dar mais detalhes aqui futuramente) ia paralelamente refletindo nos conceitos da programação e como eles se pareciam com os conceitos do jornalismo.

Para programar você precisa aprender a descer até o mais baixo degrau da compreensão. A máquina é esperta, mas é plana, vazia de compreensão automática ou qualquer tipo de repertório compreensivo. É preciso planificar tudo, esquematizar e equacionar tudo, da mesma forma que acontece com o jornalismo.
Enquanto o computador precisa da fórumula arquitetada, o leitor/espectador precisa dos elementos básicos da história, as 5 perguntas fundamentais, para fazer o entendimento do fato acessível para a grande maioria.

Resumir o mundo em IF’s, ELSE’s e FOREACH’s não é muito distante das estruturas textuais que vemos nos jornais. E vindo de encontro para esta constatação estão dispositivos como o iPad e o Kindle, que mais do que um substituto de silício ao papel rodando imagens em movimento como se fosse um O Profeta Diário do universo do Harry Potter, são dispositivos computacionais capazes de dispor de N recursos para levar a compreensão do que acontece no mundo, na cidade e na sua rua a qualquer pessoa com acesso a eles.

Passamos a trabalhar em uma frente onde compartilhamos os mesmos desafios e buscamos os mesmos objetivos. Precisamos unir forças e parar de pensar o processo como um trabalho de etapas e níveis diferentes. Como o próprio Pedro disse: “Se isso é jornalismo? E quem se importa?”